CM
Cómo funciona

O que fazemos a cada câmara antes de a vender: o processo de oficina da Camera Market

Seis passos, duas horas de trabalho por unidade, e a razão pela qual 95% dos problemas ficam à porta do armazém.

CV
Carlos Vega
Editor — Camera Market Reviews · 26 de mayo de 2026
6 min
Camera Market — processo de verificação técnica em oficina

Quando uma câmara entra na Camera Market — seja comprada a um particular, recolhida de uma loja que encerra ou recebida como parte de um lote B2B — não aparece no site de um dia para o outro. Passa por seis passos que demoram entre duas a quatro horas por unidade. Aqui estão os seis, e por que cada um importa.

1. Identificação e rastreabilidade

Cada unidade recebe um ID interno (formato CM-INV-2026-04-XXXXX). Guardamos:

  • Número de série do fabricante.
  • Data de entrada no armazém.
  • Vendedor original (anonimizado se era particular, declarado se era B2B).
  • Historial prévio conhecido (serviço Canon em 2023, etc.) se o vendedor no-lo fornecer.

Isto permite-nos rastrear a câmara durante toda a sua vida no sistema. Se dentro de 8 meses um cliente nos reportar um problema, podemos ir ao registo da oficina e ver exatamente como chegou.

2. Verificação técnica

Aqui é onde se separa uma câmara “que funciona” de uma câmara “que sabemos como funciona”. Verificamos ponto por ponto:

  • Contador do obturador real — extraído do firmware via software (ShutterCheck, EOSinfo, MagicLantern para Canon; ExifTool para Sony/Fuji/Nikon). Não confiamos no declarado pelo vendedor.
  • Saúde da bateria — percentagem real de capacidade versus original. Medimos com carregador inteligente e ferramentas específicas de cada marca.
  • Sensor — sob lupa LED e disparos de teste contra fundo branco a f/22 para detetar pó, marcas, fungos.
  • Ecrã LCD e visor eletrónico — píxeis mortos, marcas, túneis óticos sujos.
  • Controlos físicos — cada botão, cada dial, joystick, comando de modo. 50 pressões por controlo em condições reais de uso.
  • Montagem — desgaste da baioneta, contactos elétricos oxidados.
  • Tropicalização — se o modelo a tiver, verificamos juntas visíveis.

O relatório técnico fica guardado no sistema e é publicado parcialmente na ficha do produto.

3. Limpeza profunda

Se a câmara passar a verificação, vai para limpeza:

  • Sensor — limpeza húmida com líquido especializado (Eclipse + PEC-Pads) ou ultrassons para câmaras com sistema integrado.
  • Contactos elétricos — corpo e baioneta, com álcool isopropílico a 99%.
  • Alojamento de cartões SD/CF — ar comprimido + cotonete seco.
  • Ocular do visor e ecrã — pano de microfibra + limpador ótico.

Uma câmara que viveu 4 anos com um fotógrafo profissional pode chegar com pó em sítios que não imaginas. A limpeza é o que transforma “usada” em “como nova visualmente”.

4. Teste funcional

Após a limpeza, 50 disparos reais em diferentes modos:

  • 10 disparos em manual a velocidades variáveis (1/60, 1/250, 1/1000, 1/4000) para detetar falhas do obturador.
  • 10 disparos em AF servo a seguir um sujeito em movimento — o típico passo do staff do armazém com um objeto na mão.
  • 10 disparos em rajada (CH ou CL conforme o modelo) para ver o buffer real.
  • 5 segundos de vídeo em 4K se o modelo o suportar — e 30 segundos em HD para confirmar que não há deriva de exposição.
  • Teste de WiFi/Bluetooth — emparelhar com o smartphone do staff, transferir 3 ficheiros.
  • Carga completa da bateria com o carregador original — confirmar que não há corte intermédio.

Se algo falhar aqui, a câmara volta ao passo 2 (segundo diagnóstico) ou é devolvida ao vendedor original.

5. Fotografia e listagem

Assim que a câmara passa os passos 2-4, vai para fotografia profissional:

  • Fundo neutro cinzento claro.
  • Frente, traseira, parte superior, parte inferior, ambos os lados.
  • Detalhe do número de série.
  • Detalhe do sensor (com tampa do corpo removida).
  • Se a unidade tiver riscos ou marcas declaradas, foto específica de cada uma.
  • Todos os acessórios incluídos numa foto de conjunto.

A ficha do produto é redigida com base no relatório técnico, não em marketing. Se o sensor tiver uma partícula microscópica que só aparece a f/22, dizemo-lo.

6. Classificação de estado

Atribuímos um grau A, B, C ou D:

  • Grau A: como nova. Sem uso visível. Caixa original presente se a tivermos. Reservado para unidades B2B novas devolvidas, ou particulares com muito pouco uso (menos de 5.000 disparos).
  • Grau B: uso visível (riscos menores na base do corpo, borrachas com marca ligeira) mas tecnicamente perfeita. É o grau mais comum no nosso catálogo (~60% do stock).
  • Grau C: riscos visíveis, marcas mais profundas, alguma borracha descolada — tecnicamente perfeita. Desconto adicional sobre Grau B (15-20% menos).
  • Grau D: defeito técnico declarado. Só vendemos D se o defeito estiver documentado na ficha e o preço refletir um desconto agressivo. Exemplo: uma câmara com pixel morto no ecrã mas sensor perfeito pode ir para Grau D com -30%.

O cliente sabe exatamente o que compra antes de clicar em “comprar”.

Por que este processo importa?

Quando comparas a Camera Market com Wallapop ou Vinted, o delta de preço é de 100-300 € na maioria dos modelos. Esse delta paga este processo: as duas horas de oficina, as ferramentas, os consumíveis de limpeza, a fotografia profissional, o relatório técnico, a garantia de 12 meses.

É a diferença entre “compras uma câmara e rezas” e “compras uma câmara e sabes o que recebes”. Para muitos compradores essa tranquilidade vale o delta. Para outros não — e respeitamos essa decisão.

Lê mais sobre como funciona a nossa garantia →